É Festa, é Revolta! A Copa do Mundo é Nossa!

Capa Copa 2014

Como que o evento mais importante para a divulgação do Brasil começa a dar passos obscuros rumo ao desconhecido?

 

O ano é 2007. Em um discurso de Ricardo Teixeira, com total aprovação do país diante o presidente Lula, o Brasil confirma estar apto em sediar o evento futebolístico mais importante do mundo. Nove bilhões é a estimativa de investimentos para o evento, que vão de estádios a obras de infraestrutura básica. A Ministra do Turismo da época, a Marta Suplicy, já dava uma dica do que esperar dessa empreitada brasileira:

Relaxa e Goza

Sete anos se passaram, e o brasileiro resolveu pensar nos “transtornos esquecidos” em 2013, no início da Copa das Confederações. O “gigante” acordava, rebelde, berrando que queria investimentos, queria menos estádio, queria ais saúde, educação, transporte, etc.

E então, Ronaldo Fenômeno joga um balde de água fria em seus fãs:

“Não se faz Copa do mundo com Hospital”

Por mais cruel que seja, o Sr. Názaro de Lima estava certo. O Brasil não se comprometeu em fazer investimentos na saúde, educação. O Brasil prometeu a fazer Copa. E agora?

O Governo: Irresponsabilidade Fiscal, atrasos, demonstração de subdesenvolvimento.

Quando o país é alertado que as obras andam mais atrasadas que o país sede que mais causou desconfiança quanto à pontualidade, é algo preocupante (não querendo menosprezar a África do Sul, que tirando alguns oportunistas de plantão que vendiam coletes anti-facadas para o Mundial de 2010, mostrou que a população estava bem envolvida com o evento e entregou as obras prometidas em tempo).

Quando falamos do Brasil, precisamos entender o atraso. Primeiramente, o Ministério do Turismo, órgão competente, divulga estudos sobre a copa em 2013, um pouco tarde para qualquer ação preventiva. Além disso, é possível contar nos dedos o número de ações e cobranças para a Copa realizadas pelos 4 ministros que passaram pela casa nesses 7 anos. Estratégias do evento, melhor nem comentar. Aeroportos superlotados, estações rodoviárias abarrotadas e, para bagunçar tudo, cidades sedes com distâncias surreais.

Outro fator é que a Copa já atinge o gasto de 8,9 Bilhões, isso considerando as diversas obras de infraestruturas canceladas (apresentadas como o grande bem do evento) e os gastos absurdos nos estádios, feito com verba pública, com problemas estruturais já nos primeiros patrimônios entregues. Mais absurdo é ver obras da Copa que serão finalizadas depois do evento, isto é, se forem entregues! Afinal, se nem o transporte público escapa de um escândalo, quem garante que estas obras terão continuidade e verba para seu término?

Quanto a utilidade de estádios após o evento e as ações da FIFA em motivar o esporte nas regiões, a África já mostra que sem planejamento, “perdeu”.

Se em algum momento o Brasil pensa em mostrar um fiasco na Copa, não é necessária nenhuma manifestação para mostrar ao mundo a desorganização do país, em especial com o Turismo. Aos profissionais de Turismo, o que acontecer deste evento será uma grande lição ao Estado e ao profissional: se o Brasil mostrar ser irresponsável, será o momento do Turismólogo “brilhar” nos jogos olímpicos de 2016. Como sua antiga professora do fundamental dizia, “alguém terá que fazer bem feito”.

Manifestação #NaoVaiTerCopa, o desconhecimento do brasileiro quanto ao evento.

Não sou contra manifestações, elas são essenciais para o desenvolvimento da democracia e o primeiro mundo é bem acostumado a elas em períodos de grandes eventos (os ingleses não me deixam mentir).

Para o país, não ter a Copa é pior do que ter a Copa. Primeiramente, o investimentos em obras já foram feitos, e eles não podem, magicamente, metamorfosear-se em professores, escolas, moradias… O que foi feito esta feito.

Além do problema de ter elefantes brancos não acabados, o Blatter já dizia: “O Brasil que foi até a FIFA, não o contrário”. O Cancelamento do evento gera uma multa de 5 bilhões, esvaziando ainda mais nossos cofres públicos. Dar boicote? O mercado externo costuma não aprovar países que fazem boicote de dívidas contratuais.

Agora quanto aqueles que defendem que as manifestações espantam os turistas pois geram insegurança e baderna, bom, acredito que o principal problema de insegurança e medo deveria ser quanto à ameaças do poder paralelo nacional em fazer atentados

Aos colegas turismólogos, vejam como que uma ação preventiva de planejamento turístico, envolvimento da população e cobrança dos órgãos públicos poderiam amenizar essa revolta.

A esperteza brasileira.

E como se não bastassem tantos problemas, chego ao principal de todos: O BRASILEIRO É UM PROBLEMA PARA A COPA.

Antes de me xingar, vamos aos fatos: Nosso país teve que fazer campanha para o brasileiro respeitar o assento marcado. Imagine agora um turistas no metrô rumo à estação Itaquera em um horário de jogo enquanto o brasileiro volta do trabalho? Quantos casos de exploração de turistas feitos por pessoas comuns ocorrem em todas as temporadas pelo país? Os cambistas não vão se aproveitar da situação? O jeitinho brasileiro de ser esperto, tirar vantagem e não ter cidadania já transforma a experiência de visitar o país um trauma.

Mas nosso empresário também não é um santo. Bilhetes aéreos dez vezes mais caros  e diárias hoteleiras, oficialmente levantadas, 40% mais caras já mostram um reflexo do que esperar dos outros serviços ao turista. Péssimos exemplos de exploração não faltam! E o melhor, não estamos preocupados que eles acabem “desistindo” de investir aqui!

Mais uma vez, vejam como a falta de profissionais de turismo, que entendem do consumo e da rotina de um turista, que poderiam atuar em conjunto com outros setores sociais e trabalhar na conscientização destes empresários / população que, ao invés de tentarem superfaturar na Copa, deveriam oferecer serviços de qualidade e cobrar preços comuns – como qualquer outra época de eventos importantes.

E a terrorista FIFA? A única que abaixou os preços dos ingressos, cobrando R$60 de entrada para alguns jogos, seguindo o padrão de preços das edições anteriores.

 

Podem escrever, depois desta copa, se o profissional de Turismo atuar no Brasil e demonstrar ganhos e organização para os próximos eventos, a valorização da profissão será algo inevitável. Apostem em vocês!

 

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Mestrando em Turismo pela Univali, Bacharel em Turismo pela USP, Pós-graduado em Administração pela FGV, com experiência em Planejamento de Eventos, Planejamento de Produtos Turísticos e Planejamento de Operações Turísticas, é idealizador do site e posta conteúdo para seus colegas todo domingo.

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